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Captação de água potável ameaçada

09/02/2005 - O fornecimento de água potável captada no rio Cubatão está seriamente ameaçado. Graves problemas podem vir a ocorrer no município nas próximas duas décadas. Os avisos alarmantes vêm da vice-presidente da Organização Não-governamental (ONG) Vida Verde, Nilsa Schroeder Gramkow. O diagnóstico partiu de inúmeros estudos, entre eles os resultantes das pesquisas dos grupos de trabalho do Comitê da Bacia do Rio Cubatão do Norte para elaboração do plano de manejo do rio.

"Os mecanismos previstos em lei não estão sendo cumpridos, como o Código Florestal e a Lei de Uso e Ocupação do Solo. A saída pode estar na criação e no cumprimento de políticas públicas eficientes. Repare que nem sequer temos um estudo da dinâmica hidrológica do rio".
Para Nilsa, não se pode dizer que se faz prevenção de enchentes com desassoreamento exagerado, construção de canais ou a retificação do curso de rios. "O ideal é que se cultive a mata ciliar ao longo do curso do rio, que seja feita a manutenção dos lençóis freáticos e, principalmente, que as áreas de foz não sejam urbanizadas".

A mineração para extração de seixo rolado em torno do rio é outro fator que tira o sono da ambientalista. "Para eliminar os riscos ambientais, o ideal seria que a mineração fosse feita fora da bacia hidrográfica. Temos indícios de que o lençol freático esteja seriamente comprometido e medidas precisam ser tomadas urgentemente", enfatiza.

A vice-presidente ressalta que as enchentes não são necessariamente um malefício, afinal, elas são um dos principais ingredientes para a fertilização do solo - sendo de enorme valia para a agricultura. "Somos favoráveis a atitudes responsáveis no relacionamento com a natureza. O que precisamos é do apoio de nossos políticos, de vereadores, da Prefeitura, para encontrar saídas para preservar a natureza", diz.
A melhor alternativa para evitar que tragédias como a enchente de 1995 se repitam é a prevenção. A máxima, tradicionalmente empregada na saúde, também se aplica às questões do meio ambiente.

A dica é do arquiteto Rui Borba, que garante que se políticas públicas forem criadas especificamente para tratar do assunto a incidência de enchentes pode diminuir ainda mais. "Observe que já temos legislação específica para a construção de edificações nas proximidades do leito de rios. A lei prevê inclusive que cada tipo de rio, se de curso mais ou menos acidentado, com maior ou menor volume de água, deva ter uma distância específica para a construção de prédios e casas", explica.

Riscos de nova tragédia
não estão descartados


Catástrofes geralmente são imprevisíveis, e o poder público trabalha como pode para diminuir os estragos erguendo obras de contenção e infra-estrutura. Mas os especialistas garantem: os raios podem cair duas vezes no mesmo lugar. "Não estamos livres da repetição daquela enchente", afirma o mestre em engenharia ambiental e funcionário do Ministério do Meio Ambiente Nelson Luiz Wendel, embora considere remota a possibilidade de a barragem romper-se novamente.

Segundo Wendel, os estudos para construções do porte e da finalidade de uma barragem como a do Cubatão levam em conta o histórico de fatores naturais, como o índice pluviométrico e a temperatura média. "As obras são feitas para suportar a situação mais extrema apresentada nos últimos 20 anos", explica. Entretanto, assegura Wendel, Joinville não está totalmente a salvo, principalmente porque ações depredatórias estão em curso: "As possibilidades de uma tragédia voltar a se repetir aumentam se levarmos em conta os desmatamentos, a terraplenagem e as ocupações urbanas próximas dos leitos dos rios."

O secretário da Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Joinville (Ippuj), José Carlos Vieira, admite que o seixo rolado ao longo do rio Cubatão prejudica a vazão da água. "De fato, é importante que façamos a manutenção do rio. Uma das primeiras medidas a tomar é providenciar seu assoreamento", reforça. Para o secretário, outra iniciativa de prevenção seria a construção de dois canais menores, paralelos ao canal principal.

Autor: Manoel Francisco
Fonte: AN Cidade 6/2/2005