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Joinville - Segunda-feira, 17 de Junho de 2019 - Santa Catarina


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A prioridade da água

Apesar das denúncias - quase regulares - da imprensa, em Santa Catarina continuam sendo perpetrados verdadeiros atentados contra os mananciais que abastecem as cidades
24/03/2005 - Talvez por deter 20% das reservas mundiais de água doce, o Brasil continue sendo um país perdulário em seu consumo. A sociedade desconhece a importância do chamado "precioso líquido" e não sabe que em poucos anos, também no Brasil, a água se transformará num bem de elevado custo.

Em Santa Catarina, a questão é delicada. Os principais aglomerados humanos, como Joinville e Florianópolis, terão escassez de água, em razão de não existirem políticas públicas eficientes de preservação dos mananciais. Apesar da vigência de legislação específica, as principais áreas de nascentes em nossas cidades de maior densidade populacional continuam sofrendo a ação de predadores, que atuam de forma agressiva e estão comprometendo a curtíssimo prazo o fornecimento de água.

Mineradoras operando a céu aberto em áreas de preservação, ocupação irregular do solo, com instalação de núcleos habitacionais que poluem as fontes antes dos sistemas de captação, comprometimento do lençol freático e desvios irregulares para pequenas plantações são alguns dos problemas graves que se acumulam há décadas em torno das áreas de fornecimento de água para nossas cidades.

Apesar das denúncias - quase regulares - da imprensa, em Santa Catarina continuam sendo perpetrados verdadeiros atentados contra os mananciais que abastecem as cidades. Em Joinville, a questão da água é encarada como dramática para muitos ecologistas e ONGs que operam na cidade. De certa forma, já está comprometido o desenvolvimento da economia, pois impedem o estabelecimento de determinados tipos de indústrias, que consomem grandes quantidades do precioso líquido.

É certo que há muito desperdício, especialmente nas redes de distribuição de água em muitos municípios - em Joinville, é de 50% em razão da antiguidade dos canos e da falta de manutenção. Nesse sentido, o contrato com a Casan mostra agora seu pior saldo - e os riscos de colapso nos sistemas poderão ser revertidos com novos investimentos, como se projeta em Joinville.

Proteger os mananciais, contudo, é da máxima prioridade, em quase todas as cidades de Santa Catarina. É preciso que a sociedade se mobilize e tome consciência de que a situação é da maior gravidade e exige decisões na área governamental e política. Infelizmente, o que se assiste é a omissão imperdoável de muitos, apesar dos avisos e dos protestos de ecólogos e de ONGs voltadas ao meio ambiente. Há muito tempo entidades de proteção à natureza se manifestam sobre a delicada questão da água, mas até aqui, lamentavelmente, quase nenhuma repercussão essas manifestações obtém na população, que continua se mostrando pouco responsável no que tange à água, seu consumo e preservação das fontes abastecedoras.


Fonte: A Notícia / Opinião 22/03/2005