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Joinville - Segunda-feira, 17 de Junho de 2019 - Santa Catarina


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É possível reverter o quadro!
15/09/2004 - É por demais chocante observar os estragos que o homem vem produzindo na natureza nesta era dos avanços tecnológicos, em que se busca sobretudo, o ganho, o conforto e as facilidades imediatas. Os estragos são produzidos a partir de atitudes inocentes, como o são as capinas químicas a nível doméstico, a aplicação desordenada dos defensívos agrícolas, por pessoas despreparadas e/ou inescrupulosas, bem como pelos volumosos efluentes que teimosamente são despejados rio e mar adentro. A preocupação de deixar algum patrimônio aos descendentes é notória em todas as camadas sociais. Não há pai e mãe que não sonhem com uma vida melhor para seus filhos e netos. A grande dificuldade, parece residir em se compreender que não existe patrimônio maior do que o ar para respirar e a água para beber, e que é preciso priorizar a preservação desses bens maiores.

Num passado mais distante, quando a natureza se mostrava talvez inesgotável, a caça era livre e até 30 ou 40 anos atrás era regulamentada. Lembro que iniciava, se não me engano, no dia 1º de maio, em cujas madrugadas os caçadores desfilavam em suas bicicletas, com porte de arma no bolso, cartucheira na cintura, espingarda e mochila nas costas, rumo às matas da região, para disputar algum macuco, jacú, jacutinga, tucano, tucaninho, rola, araponga, baitaca, periquito, sabiá que sobravam por aí. E nos finais de tarde, podia-se observar o retorno dos mesmos, muitas vezes ostentando as fieiras de aves abatidas, penduradas na cintura.

Todo gurí andava com uma cetra pendurada no pescoço, pedras escolhidas ou pelotas de barro (caprichadamente arredondadas e secas no sol ou no forno) no bolso, para atirar nos passarinhos ou no que pudesse servir de alvo. O grande azar era acertar uma vidraça, porque daí vinha bronca pesada. Eu fiz tudo isso e provavelmente só por incompetência, felizmente, não matei muita coisa. Mas compreendo hoje porque isso era assim; tudo era visto com tamanha naturalidade, que quase ninguém recriminava. Tanto é, que a única pessoa que lembro ter me chamado a atenção foi minha avó, quando fui lhe mostrar um passarinho que havia abatido e que, em alemão, me disse algo assim: ?Por que você faz isso? Deixe esses pobres passarinhos voarem!!!

Já não havia quase nada e a caça foi proibida. As pessoas foram se desarmando, as câmaras de ar dos automóveis, motos e bicicletas passaram a ser feitas de materiais sintéticos, alterando suas propriedades, as crianças foram perdendo o jeito de fazer as cetras, e agora já podemos sentir as aves voltando aos bandos. Em Pirabeiraba podemos ver centenas de patos selvagens sobrevoando a região e, com um pouco de sorte, assistir a famílias deles atravessando a estrada, o que, posso assegurar, é muito bonito! Tem muito sabiá, sanhaçú, canário da telha... Nossos coleirinhos e tisius parece que deram lugar aos exóticos bicos de lacre. De tempos em tempos aparecem alguns tucanos, em seus bonitos uniformes e emitindo seus sons característicos. Mas o que me animou mesmo e determinou a escrita deste texto, foi ver na manhã de hoje (14.04.04), em plena Estrada da Ilha, próximo à casa do Sr. Nelson Schulz, uma família de 7 ou 8 papagaios tranquilamente pousada numa embaúva. Já tem gente pescando tilápia no Cachoeira, onde nos últimos dias também tenho visto alguns colhereiros, sinalizando que nem tudo está perdido.

Queira Deus, pois, que sejamos capazes de perceber a tempo, que essa preocupação toda com a poluição das águas e do ar não é só coisa de ecologista chato, e que tenhamos o bom senso de fazer o que é preciso para reverter o quadro, enquanto há o que fazer para perenizar nossos mananciais e manter o ar respirável.

Como em todas as coisas importantes, a solução é simples. Basta que cada um faça a sua parte!!!

Autor: Reinaldo Holz
Fonte: Rotary Club de Joinville-Pirabeiraba