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Joinville - Segunda-feira, 17 de Junho de 2019 - Santa Catarina


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A devastação continua, incentivada
07/06/2006 - Na Semana do Meio Ambiente que ora transcorre, é importante relembrar e analisar informação divulgada há poucos dias, dando conta de que o desmatamento na mata atlântica caiu 71% nos últimos cinco anos. A análise sobre a situação da mata, feita pela organização SOS Mata Atlântica, revela que de 2000 a 2005 ocorreu o corte de 941 km2 de mata nativa, contra 3.250 km2 nos cinco anos anteriores.

Aparentemente, essa seria uma boa notícia, se não fosse o fato de a mata
atlântica hoje cobrir apenas 1% do território nacional, um índice muito
aquém dos 15% de cobertura florestal que representou no País.
Para nós, catarinenses interessados na preservação, preocupados com o meio ambiente, com o futuro de nossos filhos, a notícia de que o ritmo de
destruição desenfreada reduziu-se é ainda menos auspiciosa, se levarmos em conta que o Estado continua sendo um dos vilões nesse processo.

Essa constatação, infelizmente, não causa surpresa diante da postura do
governador LHS com relação ao meio ambiente. Quando um governador recorre à Justiça contra a criação de parques e estação ecológica e de lei que institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, o que esperar senão a continuidade das derrubadas?

Em sua investida contra a criação dos parques nacionais das Araucárias e
da Serra do Itajaí e da Estação Ecológica da Mata Preta, LHS alega que as
desapropriações necessárias causarão desequilíbrio ecológico e provocarão
sérias conseqüências à comunidade, à paz social e à economia do Estado. O
governador, agora em licença, entende que o direito à propriedade deve se
sobrepor àquele que preconiza vida saudável para todos. Não por
coincidência a segunda área do Estado com maior desmatamento no período 1990/95, segundo informação constante no site da organização Planeta
Verde, foi a região de Joinville, onde 8.522 ha de restinga foram
devastados.

Assim como ele, empresários e suas entidades de classe reclamam de
quaisquer medidas que visem à preservação da mata atlântica, pouco se
importando com a importância desse patrimônio, com sua riqueza biológica.
A estes, seduzidos pelo sistema capitalista, é indiferente que o bioma
mata atlântica seja formado mais de 10 mil espécies de plantas, abrigue
estimadas 261 espécies de mamíferos, 620 de pássaros e 260 de anfíbios.
Preservá-lo é não apenas manter a vida de espécies ameaçadas de extinção, mas garantir a conservação de mananciais de água e a vida de milhões de brasileiros que vivem sob o abrigo e dependem da mata atlântica.


Autor: Afrânio Boppré, economista, deputado estadual pelo P-SOL
Fonte: A Notícia - Opinião