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Marketing sustentável
31/05/2006 - Ao longo dos últimos 50 anos a mídia e o mercado consumidor têm se expandido sobremaneira; a influência dos meios de comunicação sobre as decisões de compra cresceu proporcionalmente. O consumo desenfreado, e muitas vezes desnecessário, também acelerou nas últimas décadas. Empresas, no afã de “crescerem para não morrer”, criam diariamente novas necessidades, hábitos e produtos que a imprensa divulga através de campanhas que contribuem para um consumo exacerbado, incentivado pelo crédito facilitado e pelo endividamento progressivo.
Grande parte dos produtos consumidos utiliza matéria prima extraída de uma fonte que se julgava inesgotável: a Natureza. O que Adam Smith, idealizador do capitalismo, não percebeu é que os recursos naturais são finitos e o poder de regeneração do ambiente natural é limitado. Estes recursos estão sendo explorados além do limite razoável, considerando a capacidade de regeneração dos biomas e ecossistemas, que são integrados e interdependentes, e por isto mesmo, extremamente frágeis.
O lixo produzido, em grande parte, pelo excesso de consumo e a poluição crescente que resulta  do processo de fabricação e uso de bens, é outro problema ainda não equacionado adequadamente. Ambos geram impactos ambientais sérios; muito pouco do lixo produzido atualmente é reciclado e depositado em condições apropriadas.
Estamos diante de um dilema. Indústrias precisando expandir e garantir sua sobrevivência, o mercado de trabalho gerando novos consumidores, ao mesmo tempo em que recursos naturais dão sinais de esgotamento e a Natureza começa a perder seu poder regenerador devido à degradação dos ecossistemas, além dos limites de “sustentabilidade”. A exploração indiscriminada destes recursos e a poluição generalizada estão comprometendo a água, solo, florestas, minerais, oceanos, e a própria atmosfera.
Como contraponto se multiplicam consumidores conscientes, que se preocupam com o meio ambiente e a  responsabilidade social ao fazerem suas compras incentivando novos padrões de produção e consumo alinhados a parâmetros de sustentabilidade planetária. No Brasil eles já representam mais de 40% e estão redirecionando a indústria e o setor financeiro. Estes brasileiros compram produtos de empresas ecológica e socialmente responsáveis, mesmo que custem mais caro. São importantes formadores de opinião: falam mal a amigos de produtos elaborados por empresas irresponsáveis, mas recomendam as que consideram éticas. Por isto tem grande influência sobre a imagem das companhias.
O marketing tradicional, que contribuiu para o crescimento do consumo irresponsável , será levado a refletir e divulgar novos valores e hábitos relacionados à sustentabilidade e à ética. A crescente mudança no perfil dos consumidores   conscientes  das conseqüências do consumo de produtos desnecessários, ou social e ambientalmente incorretos, favorecerá empresas comprometidas com o bem estar da sociedade. O marketing  será ,mais e mais, um importante instrumento para criar mercado através da difusão de valores e hábitos de consumo que construam um círculo virtuoso entre  empresas e  sociedade, contribuindo para a sustentabilidade econômica, social e ambiental.
Sibylla Schneider Dietzold, Presidente ONG VidaVerde

Data: 31/5/2006


Fonte: Jornal A Notícia – Caderno AN Verde