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Joinville - Segunda-feira, 17 de Junho de 2019 - Santa Catarina


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Responsabilidade ambiental
27/01/2006 - Este início de ano é propício para uma reflexão sobre ganhos e perdas, individuais e coletivos, que favoreça a construção de uma compreensão acerca de nossas atitudes e objetivos em relação ao espaço em que estamos inseridos.
Costumamos acreditar que de nossas ações e produções, mesmo que isoladas, resultam melhorias que levam a humanidade a alcançar sempre melhores condições de vida. Contudo, por mais que nos esforcemos, percebemos que não temos conseguido realizar esse desejo totalmente (e isso incomoda), o que nos coloca um dilema.
Do mesmo modo que aprimoramos os sistemas produtivos que possibilitam transformar a natureza de forma cada vez mais eficiente, em nome do benefício da humanidade, provocamos a emergência de outras transformações que se contrapõem aos anseios de melhorias.
É cada vez mais clara a dificuldade de tratar adequadamente os efeitos colaterais de nossas produções, forçando-nos a admitir que os danos que provocamos aproximam-se perigosamente dos benefícios que buscamos alcançar. Referimo-nos aqui fundamentalmente, mas não exclusivamente, à natureza, da qual somos parte indissociável.
Compreender o mundo como uma complexa rede de relações tem sido foco de pesquisa de diversas áreas do conhecimento que se ocupam de buscar explicações para a natureza humana e suas relações sociais, culturais e ambientais. Nesse contexto de interações complexas não há mais como imputar inculpabilidade por desconhecimento, e nem como escapar da responsabilidade de considerar os múltiplos aspectos de nossas intervenções no mundo, por mais insignificantes que possam parecer.
Por mais que tentemos afastar os problemas, assombra-nos um sentimento de que em algum momento (cada vez mais próximo) os mais distantes problemas ambientais se tornarão uma ameaça real, que nos alcançará onde estivermos. É aí que a idéia do “pensar global e agir local” passa a ter um significado valioso para nós. Repensar as nossas questões mais próximas e agir no sentido de manter ou restabelecer um equilíbrio que nos permita viver melhor, é também uma maneira de favorecer o equilíbrio global ameaçado.
Assim, é importante voltar nossa atenção e nossos esforços para o entorno mais próximo; para o que acontece na nossa cidade. Debruçarmo-nos finalmente sobre nós mesmos; sim, porque pensar em nosso entorno imediato é também pensar em nossa preservação como espécie.
Nesse sentido, empenhar-se na defesa de uma causa de caráter social implica necessariamente considerar a questão ambiental como condição essencial e inseparável do quadro de soluções dos problemas sociais e urbanos. Fica claro nesse contexto que apenas com o engajamento e a atenção dos cidadãos às questões ambientais é que se poderá manter um equilíbrio que favoreça a vida; não qualquer vida, mas uma vida que valha a pena.
Dentre as muitas questões que precisamos enfrentar em Joinville cabe, pela urgência, tratar da questão dos usos dos Morros Boa Vista e Iririú.
Essa bela cidade (e seus habitantes) tem o privilégio de estar inserida numa região de mata Atlântica, a segunda mais rica em biodiversidade do planeta, com suas montanhas de cobertura verde exuberante de um lado, mar e manguezais de outro, onde a vida se exerce em plenitude. Como que orgulhosamente ostentando um desejo de integração ambiental, raro nos grandes centros urbanos, a cidade mantém em sua região central como símbolo dessa integração o Morro Boa Vista, formando com o Morro Iririú um importante corredor ecológico. Este conjunto de florestas urbanas, além de deslumbrarem visitantes, contribui enormemente para a manutenção da conhecida beleza e qualidade ambiental da cidade.
É certo que a bela e exuberante paisagem por si só não resolve os graves problemas sociais, mas é inegável que uma área verde como a do complexo ecológico dos morros Boa Vista e Iririú exerce muito mais efeitos positivos do que se pode imaginar à primeira vista. A exemplo do que tem ocorrido em importantes cidades do Brasil e do exterior, consideradas boas para viver, temos muitos e importantes motivos para defender a manutenção perene de parques e áreas verdes preservadas. Mais que isso, o conjunto destes morros constituem a maior área de Mata Atlântica urbana do país, proporcional ao tamanho da cidade. Joinville, desse modo, reúne as condições ideais para ser referência nacional, quiçá exemplo mundial, na busca do equilíbrio entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental. E por que não?
Se é imperativo garantir a preservação e o aprimoramento da realização dos interesses humanos, que isso seja feito então de modo inteligente e não predatório. Isto pode ser adequadamente realizado pela ampliação da participação pública através da inclusão igualitária dos diversos atores sociais (associações comunitárias, escolas, ongs …) nos processos de tomadas de decisão.
É preciso ter clareza que o direito do uso privado da terra não deve se dar em detrimento do direito maior de preservação da vida. E este direito pode ser satisfeito com a criação urgente do Parque Municipal do Morro Boa Vista , Iririu e outros, que é uma antiga reivindicação popular.
Sabemos que a Câmara de Vereadores, preocupada com o bem estar da população, saberá manter o veto do prefeito em relação a lei complementar nº 038, aprovada em final de dezembro de 2005, e que trata do uso e ocupação de lotes escriturados e registrados nestes morros.


Sibylla Schneider Dietzold
Presidente da ONG VidaVerde

Irlan von Linsingen
Prof. UFSC – Dr. Edu

Publicado em 27/01/2006 - A Notícia